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24 de Outubro de 2021

“Há algum Administrador a bordo?”

Ricardo do Valle, Administrador
Publicado por Ricardo do Valle
há 5 anos

Em artigo atual, publicado em jornal de grande circulação, o excelente escritor Luis Fernando Veríssimo, satiriza a procura de médico, dentro de avião em pleno voo, para atendimento emergencial de passageiro. Sua sátira compara a profissão de médico à atividade do cronista ou escritor, pois, até então, não tinha conhecimento de que em algum voo comercial houvesse alguém procurando por algum escritor a bordo, e com urgência. Sim, desconheço também tal ocorrência, que, ao escritor, gerava uma ponta de frustração e descontentamento, por sentir que seus atributos profissionais da escrita jamais fossem buscados de forma semelhante. Há graça no artigo, cujo objetivo, que era exatamente esse, foi alcançado. Contudo, a leitura produziu em mim, administrador e consultor empresarial, sensação de frustração semelhante, pois comparando qualquer empreendimento a um avião em pleno voo, observei várias vezes que a aeronave (empreendimento) voa em rota de queda livre, pois ao piloto (empreendedor) que a lançou ao ar, faltam conhecimentos simples, porém de relevante importância, e com a colaboração de outro especialista, manteria a aeronave em rota de cruzeiro, fazendo-a pousar suavemente, no aeroporto programado.

Por que esse sentimento? Porque muitos empreendedores, aqueles que “pilotam” o negócio, acreditam que sabem tudo de tudo, que têm o domínio de tudo, de todas as áreas operacionais da empresa, da manufatura, suprimentos, controle de qualidade, marketing, vendas, distribuição e atendimento a clientes, ao completo controle das finanças e desenvolvimento da equipe.

Quando o empreendimento está no seu nascedouro, com pequeno tamanho, é até possível e necessário proceder dessa forma, por questões de desenvolvimento do negócio, correção de rotas e redução dos custos. Entretanto, ao obter sucesso na empreitada, conseguindo seu desenvolvimento, tal comportamento torna-se muito perigoso para a continuidade e perenidade da empresa, pois as questões tornam-se mais complexas e detalhadas, e que nem sempre terá a atenção exigida e necessária com sua sobrecarga de trabalho, e observando-se ainda, o comprometimento da vida pessoal e familiar do empreendedor. Isso ocorre quando o empresário não delega as tarefas a pessoas bem treinadas ou especializadas em determinadas funções, mantendo o seu comportamento inalterado, acreditando ser onipresente, como quando iniciou suas atividades empresariais.

Há que se reconhecer a grande capacidade dos empreendedores, ao investirem seu conhecimento, capital e esforços diuturnamente, no desenvolvimento de seu negócio. Mas também há de se admirar – muito mais ainda – aqueles empreendedores com capacidade visionária e coragem pessoal de admitir os seus próprios limites e que buscam auxílio para os serviços e tarefas, com os quais ainda não se sentem familiarizados.

E quando buscar apoio? Antes que a aeronave (empreendimento) comece a balançar, quando os primeiros sinais apresentam-se no caixa da empresa, com a redução da liquidez financeira e dificuldades no pagamento das obrigações básicas, com a queda nas vendas, ou ainda, o que é pior, com aumento do volume de unidades vendidas ou serviços prestados, acompanhado de prejuízos operacionais, sem aparente lógica.

Outros sinais são de aumento dos estoques (matérias-primas, produtos acabados, obsoletos etc.), perdas crescentes de horas produtivas, inobservância de prazos de entrega, geração de refugos crescente, desmotivação e alta rotação da equipe etc..

Quanto mais cedo o empresário (piloto) observar o início desses sinais, melhor para a correção dos desvios (rota do avião), e buscar ajuda: - “Há algum administrador a bordo?”.

Ricardo do Valle

Administrador – CRA-SP 14.775

E-mail: dvlserv@hotmail.com

Blog: DVLEMPRESARIAL@blogspot.com

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